A minha terra não é a dos salgueiros
Tão pouco a do caviar
Nem das esquadras
Ou até mesmo de Cabral
Não vivo entre palmeiras
Nem lembro do assobio do sabiá
Mas me lembro com clareza...
Da multidão que se aperta no busão
De sua imensa agitação
maior até
do que um parque de diversão
Do descaso vivido por todos nós
Em seus diferentes graus
Lembro também de correr entre os moleques
Quando era um
E levar sova da minha materna
Por sempre ir muito longe de casa
De paixões irrealizáveis
Das brigas entre amigos, sem sentido
As perseguições com apelidos
Malignamente indelicados
Aqui tem histórias
Assim como há em qualquer lugar
Mas não somos como aí
Muito menos como acolá
Minha terra
É a terra que é minha
E sempre será
Em vida ou nas trincheiras
Na saúva e na dormência
E sempre:
Ao vencedor, as batatas!
Assim
Não obstante
O seja!
quarta-feira, 12 de setembro de 2012
segunda-feira, 27 de agosto de 2012
Aquele malandro Otávio
1° Parte
Era uma vez um tal de um homem que não sabia atirar, vivia, pois meu caro, a irreverência do acaso! Óh, Otávio, acho que era assim que o chamavam.
Já faz tempo desde daquela que o vira passar por entre as portas da velha padaria do Seu Tonho, e, malandro como sempre, este Otávio de outrora pedia os seus 4 cacetinhos para ter de levar algo a família. Morava ele e a mãe, faz tempos que não a vejo, suponho que tenhas falecido em todo esse tempo que já passou, se não me engano o pai fora fazer a guerra ao Regime do A.I.5, ou será que fora Vargas? Não me lembro mais, não me lembro mais... esses de hoje já me são tão parecidos! Mas não devo divagar! Não, não, continuemos a história. Certa feita a situação complicara para Otávio, sim, sim, ele crescera! O mundo mostrou-lhe a verdadeira face ao atingir-lhe, aos seus 16 anos, quando a mãe confessou que já não havia mais como continuar a trabalhar, a catarata devastou o que outrora foram lindos olhos verdes, agora tomados por um carregado triste cinza-azulado. Com o risco de faltar comida em casa, ah! O jovem Otávio largara a escola municipal, que já me disseram haver uma tal de diretora doida, Beatriz Estrange... algo assim, e adivinha só! Extraviava por debaixo das mangas o capital que supostamente deveria servir para reformar a biblioteca! Oras cá pra nós dois, sejamos sinceros, não se ensinam gatos a latir! Que moleque iria se enfiar naquele furdunço, se não para dar um tapa? Deixa disso companheiro!
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Crônicas
sexta-feira, 24 de agosto de 2012
Dadá
Violetas são vermelhas
E as rosas são vermelhas
O jardineiro é assassino.
"Dada não significa nada: Sabe-se pelos jornais que os negros Krou denominam a cauda da vaca santa: Dada. O cubo é a mãe em certa região da Itália: Dada. Um cavalo de madeira, a ama-de-leite, dupla afirmação em russo e em romeno: Dada. Sábios jornalistas viram nela uma arte para os bebês, outros jesus chamando criancinhas do dia, o retorno a primitivismo seco e barulhento, barulhento e monótono. Não se constrói a sensibilidade sobre uma palavra; toda a construção converge para a perfeição que aborrece, a ideia estagnante de um pântano dourado, relativo ao produto humano."
E as rosas são vermelhas
O jardineiro é assassino.
"Dada não significa nada: Sabe-se pelos jornais que os negros Krou denominam a cauda da vaca santa: Dada. O cubo é a mãe em certa região da Itália: Dada. Um cavalo de madeira, a ama-de-leite, dupla afirmação em russo e em romeno: Dada. Sábios jornalistas viram nela uma arte para os bebês, outros jesus chamando criancinhas do dia, o retorno a primitivismo seco e barulhento, barulhento e monótono. Não se constrói a sensibilidade sobre uma palavra; toda a construção converge para a perfeição que aborrece, a ideia estagnante de um pântano dourado, relativo ao produto humano."
quinta-feira, 23 de agosto de 2012
Mas eis que chega a roda-viva
"a gente estancou de repente
ou foi o mundo então que cresceu"
QUANDO DEIXARÃO DE ACREDITAR QUE NÃO HÁ MAIS NADA A LUTAR?
O ABSURDO É INACEITÁVEL
SE ASSUJEITAR É IMPOSSÍVEL!
OS TEMPOS NÃO MUDARAM PORQUE PARAMOS DE NOS IMPORTAR
NÓS NOS MATAMOS COM A FARSA
QUE TODOS OS DIAS INTERPRETAMOS
PARA NOS ACOMODAR NESSA BABAQUICE
E ESSA INTENSA PAIXÃO QUE NOS MOVE
NUNCA NOS DEIXARÁ NOS ADAPTARMOS
E TORNARMOS MAIS UM
AS MENTIRAS NOS GOVERNAM
AS MUITAS QUE NOS SÃO CONTADAS POR NÓS MESMOS
TENTANDO EM VÃO NOS CONVENCER QUE ESTÁ TUDO BEM
ENQUANTO O QUE NÓS VEMOS É O PRÓPRIO INACEITÁVEL
QUE MORRA A ESTÉTICA
O PADRÃO E O ETERNO!
OS NOSSOS MARIÍS MORRERAM
PARA O TEMPO NUNCA PARAR!
EU NÃO NEGAREI O QUE SOU!
A REALIDADE É INADAPTÁVEL
POR ISSO ANTES AGONIANTE DO QUE MAIS UM
A REVOLUÇÃO NÃO IRÁ PARAR!
inocente, utópico, fantasioso, seja o diabos que for, o absurdo é real e aceitado! Que seja um imaturo então, deixo esse espaço para minha criança interina falar o que os adultos já se acostumaram a não ver.
O condicionamento, duplipensamento, o benepensante tornaram-se reais no mundo, mas o questionamento, a nossa natureza, é o que tornou-se mal visto e rejeitado. Não são poucos que percebem o não coeso e incoerente mundo dos assujeitados, mas quem ousará falar?
somos tantos, mas estamos tão sós em nossa displicência que nos tornamos nada. Incoerente ou não, ainda assim estamos aqui, fingindo, mentindo, enlouquecendo, para aceitar tudo o que é imposto.
O tempo não pode parar
pois
O tempo não para.
um desabafo não move o mundo
não faz nada
um desabafo é um desabafo
assim como um boa tarde dito
mas nunca falado
ou foi o mundo então que cresceu"
QUANDO DEIXARÃO DE ACREDITAR QUE NÃO HÁ MAIS NADA A LUTAR?
O ABSURDO É INACEITÁVEL
SE ASSUJEITAR É IMPOSSÍVEL!
OS TEMPOS NÃO MUDARAM PORQUE PARAMOS DE NOS IMPORTAR
NÓS NOS MATAMOS COM A FARSA
QUE TODOS OS DIAS INTERPRETAMOS
PARA NOS ACOMODAR NESSA BABAQUICE
E ESSA INTENSA PAIXÃO QUE NOS MOVE
NUNCA NOS DEIXARÁ NOS ADAPTARMOS
E TORNARMOS MAIS UM
AS MENTIRAS NOS GOVERNAM
AS MUITAS QUE NOS SÃO CONTADAS POR NÓS MESMOS
TENTANDO EM VÃO NOS CONVENCER QUE ESTÁ TUDO BEM
ENQUANTO O QUE NÓS VEMOS É O PRÓPRIO INACEITÁVEL
QUE MORRA A ESTÉTICA
O PADRÃO E O ETERNO!
OS NOSSOS MARIÍS MORRERAM
PARA O TEMPO NUNCA PARAR!
EU NÃO NEGAREI O QUE SOU!
A REALIDADE É INADAPTÁVEL
POR ISSO ANTES AGONIANTE DO QUE MAIS UM
A REVOLUÇÃO NÃO IRÁ PARAR!
inocente, utópico, fantasioso, seja o diabos que for, o absurdo é real e aceitado! Que seja um imaturo então, deixo esse espaço para minha criança interina falar o que os adultos já se acostumaram a não ver.
O condicionamento, duplipensamento, o benepensante tornaram-se reais no mundo, mas o questionamento, a nossa natureza, é o que tornou-se mal visto e rejeitado. Não são poucos que percebem o não coeso e incoerente mundo dos assujeitados, mas quem ousará falar?
somos tantos, mas estamos tão sós em nossa displicência que nos tornamos nada. Incoerente ou não, ainda assim estamos aqui, fingindo, mentindo, enlouquecendo, para aceitar tudo o que é imposto.
O tempo não pode parar
pois
O tempo não para.
um desabafo não move o mundo
não faz nada
um desabafo é um desabafo
assim como um boa tarde dito
mas nunca falado
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Desnecessário,
Reflexões
domingo, 19 de agosto de 2012
Pois o nosso samba agora virou bolero, capoeira....
Choro de saudades pelos velhos amigos
que desde antes de conhecer já eram velhos
Choro, choro sim
com forte saudade daqueles tempos
[mesmo
não tão antigos,
mas que já não os são mais
Ah companheiro, eu choro
por já nem mais falar sobre isso
e estar rendido nesses tempos
Por minhas lágrimas estarem secas
pela aspereza deste pragmatismo
eu choro com essa preguiça alienante que me sufoca.
Já não sou mais o mesmo,
vocês que me viram,
Mas sempre quando olho para trás
choro escarrando esse pó
Que nos faz de mero
e ordinário barro.
sábado, 11 de agosto de 2012
Mas é claro que o sol...
Alegria, Alegria
é estar compartilhando
Olhar nos olhos e beber
Sorria, já não é só gracejo
Tão doce
E ao mesmo tempo tão profundo
no seu Jazz da favela
Ou da Favela do jazz
Dançamos, cantamos
Fizemos folia em pleno berço
do carnaval dos poetas
Agora, o sol avança sobre as águas,
onipotente e megalomaníaco,
deixando seus traçados alaranjados
como um último olhar de Narciso
refletido no seu espelho,
[em frangalhos
Mas nos diga,
[oh céus,
aonde se olha para beber do sol?
mas diga a mim,
não diga a ele
diga a mim,
não diga a ele
diga a mim,
mas não, não
dessa vez,
seja à ele.
é estar compartilhando
Olhar nos olhos e beber
Sorria, já não é só gracejo
Tão doce
E ao mesmo tempo tão profundo
no seu Jazz da favela
Ou da Favela do jazz
Dançamos, cantamos
Fizemos folia em pleno berço
do carnaval dos poetas
Agora, o sol avança sobre as águas,
onipotente e megalomaníaco,
deixando seus traçados alaranjados
como um último olhar de Narciso
refletido no seu espelho,
[em frangalhos
Mas nos diga,
[oh céus,
aonde se olha para beber do sol?
mas diga a mim,
não diga a ele
diga a mim,
não diga a ele
diga a mim,
mas não, não
dessa vez,
seja à ele.
sábado, 4 de agosto de 2012
Ideias Madrugadas
Aqui quem vos fala é a madrugada
não mais triste
não posso, não agora...
o sono? afastou-se
então vambora liberdade!
já não é mas manhã nem tarde
e mesmo o dia
sendo sempre tão quente
agora chove, chove
e chove pela minha madrugada!
a brisa pode passar
o sereno e o luar
a calmaria
e afinal silêncio
dos seus doces desalentos
o sol por fim virá
por isso canto agora, girassol
o dia já nasce apertado
já não há mais espaços
e nós poucos
refugiados
sempre indo pra onde quisermos
o vento passará
brincando com seus cachos
e assobiará
como um jazz
nos deixandos tão leves
tão prestes a flutuar
somos felizes ao cantar
redundantes ao pensar
mas há toda manhã
para vir nos separá
no final, afinal
somos leste e oeste
fazendo soprar
vento no litoral
do esquecido meu, oh deus
Norte-Nordeste, um cordel de fogo e coral
não mais triste
não posso, não agora...
o sono? afastou-se
então vambora liberdade!
já não é mas manhã nem tarde
e mesmo o dia
sendo sempre tão quente
agora chove, chove
e chove pela minha madrugada!
a brisa pode passar
o sereno e o luar
a calmaria
e afinal silêncio
dos seus doces desalentos
o sol por fim virá
por isso canto agora, girassol
o dia já nasce apertado
já não há mais espaços
e nós poucos
refugiados
sempre indo pra onde quisermos
o vento passará
brincando com seus cachos
e assobiará
como um jazz
nos deixandos tão leves
tão prestes a flutuar
somos felizes ao cantar
redundantes ao pensar
mas há toda manhã
para vir nos separá
no final, afinal
somos leste e oeste
fazendo soprar
vento no litoral
do esquecido meu, oh deus
Norte-Nordeste, um cordel de fogo e coral
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