Lá vinha ele todo desengonçado, cabelo despenteado e cadarço desamarrado.Poderia querer tantas coisas, mas sempre, quando a olhava, sua tensão o forçava a ser só mais um paradigma. Paradigmas! Isso azedava sua vida mais que veneno, após anos a fio abrindo mão de sua liberdade e ficando cada vez mais preso em paradigmas.... isso fazia sua revolta crescer. Haviam dias que já acordava querendo destruir as pessoas, o mundo, a si mesmo!! A insanidade se instala em qualquer um que vive sem ser a si mesmo!
Ah liberdade... tão cobiçada, tão quanto o beijo de uma mulher, o carinho do seu toque ou o mergulhar na água fria. O mundo é complicado e simples, se você filtrá-lo, sem tornar-se cego, poderá ver o que tanto procura, e tenha certeza, estará ali.
Mas não importa tudo o que ele fazia, a dedicação ao violão, o desapego à ideia academicista do ensino, os zilhões de horas que passou lendo livros, ou qualquer outra coisa que lhe fora importante algum dia, nada disso era o suficiente para que as pessoas finalmente o reconhecessem, lhe desse a sua almejada liberdade. Em vez disso acabou perdendo alguns amigos, perdeu alguns romances, viu muitos que ,por imaturidade, desprezava, tomar o seu lugar. Ele teria um diferencial, e um comodismo surreal para lhe compensar, nada é entregue de bandeja. O que poderia fazer? Onde iria? Já não havia mais tempo para devaneios!
Ele queria, ele desejava ser diferente, único, singular. E a cima de tudo, conseguir o exito da sua mais árdua missão: Se tornar a si mesmo. Poderia ser simples, deveria ser simples, mas assim não o era. A vida não lhe será fácil, nunca! E se ele quiser seu triunfo terá que lutar, terá que ser honesto e admitir todas as suas fraquezas, insanidades e manias tendenciantes aos vícios. Ele teria que ser honesto, mesmo se isso fizesse os pensados "leigos" se afastarem dele, e somente havia os "leigos" perto de si, ficaria só, temia isso. A Pesar de passar praticamente o dia todo em casa, só, temia o abandono das pessoas, por isso mentia, se escondia numa face que não era sua e que só o atrasava!
Estava cansado, triste. Apesar de tudo, ainda era um humano, uma criança! Queria viver romances, aprender a pedalar, à cair da bicicleta, mas alguns lhe parecia tão distante, será que não haveria ninguém naquele mundo além de sua própria matriz que o amasse? Por que isso? Será que era assim tão desinteressante? Não importava o que ele pensava e escrevia, por maior que pudesse se tornar seus textos?
Por quê? Por quê ninguém se interessava de verdade e conhece-lo? Era assim tão patético? Feio?
Não era compreensível, não, não; tão pouco verossímil... o que faria? Ele queria o beijo de uma garota, ele queria viver suas fantasias não importando o quanto juvenis elas poderiam ser, ele queria escrever ele repetidas vezes e ainda assim vencer a estética... O que era preciso para ganhar um beijo? Saber como calcular o volume de um tronco de uma pirâmide? Paixão pelas artes? Dedicação ao desenvolvimento de música, escrever, poetizar O que?? O que seria nescessário? Uma boa dose de mentira e uma finta malandragem? Seriamos assim vazios? Não, não somos vazios... mas por quê então, por quê não haveria de conquistar suas paixões? O que o barrava? Por quê um texto que lhe parecia tão bom, no final é uma real desgraça? Não podia mais se enganar, tudo ia errado, estava a caminho de uma breve ruína, deveria lutar. Como conseguir a atenção dela? Como ter a chance de seu carinhoso afeto? Como ser visto por outros olhos? Como fazer com o que sentia saísse tão natural e relevante quanto sentia? Não sabia a resposta para tudo, na verdade não sabia nada!
mas como agora dizia a sua dialética: Quando não souber para onde ir, siga de ré...
[a maré]
sábado, 17 de novembro de 2012
daisie
Da sua janela, sempre tão bela
perdiasse Lisbela
vendo o seu amor passar
na esperança de que
o seu olhar
fizesse por algum dia
uma bela flor brotar
esperando
talvez assim
que o fizesse ficar
na esperança de que algum dia
ele a voltasse a olhar
perdiasse Lisbela
vendo o seu amor passar
na esperança de que
o seu olhar
fizesse por algum dia
uma bela flor brotar
esperando
talvez assim
que o fizesse ficar
na esperança de que algum dia
ele a voltasse a olhar
quarta-feira, 12 de setembro de 2012
Minha Terra
A minha terra não é a dos salgueiros
Tão pouco a do caviar
Nem das esquadras
Ou até mesmo de Cabral
Não vivo entre palmeiras
Nem lembro do assobio do sabiá
Mas me lembro com clareza...
Da multidão que se aperta no busão
De sua imensa agitação
maior até
do que um parque de diversão
Do descaso vivido por todos nós
Em seus diferentes graus
Lembro também de correr entre os moleques
Quando era um
E levar sova da minha materna
Por sempre ir muito longe de casa
De paixões irrealizáveis
Das brigas entre amigos, sem sentido
As perseguições com apelidos
Malignamente indelicados
Aqui tem histórias
Assim como há em qualquer lugar
Mas não somos como aí
Muito menos como acolá
Minha terra
É a terra que é minha
E sempre será
Em vida ou nas trincheiras
Na saúva e na dormência
E sempre:
Ao vencedor, as batatas!
Assim
Não obstante
O seja!
Tão pouco a do caviar
Nem das esquadras
Ou até mesmo de Cabral
Não vivo entre palmeiras
Nem lembro do assobio do sabiá
Mas me lembro com clareza...
Da multidão que se aperta no busão
De sua imensa agitação
maior até
do que um parque de diversão
Do descaso vivido por todos nós
Em seus diferentes graus
Lembro também de correr entre os moleques
Quando era um
E levar sova da minha materna
Por sempre ir muito longe de casa
De paixões irrealizáveis
Das brigas entre amigos, sem sentido
As perseguições com apelidos
Malignamente indelicados
Aqui tem histórias
Assim como há em qualquer lugar
Mas não somos como aí
Muito menos como acolá
Minha terra
É a terra que é minha
E sempre será
Em vida ou nas trincheiras
Na saúva e na dormência
E sempre:
Ao vencedor, as batatas!
Assim
Não obstante
O seja!
segunda-feira, 27 de agosto de 2012
Aquele malandro Otávio
1° Parte
Era uma vez um tal de um homem que não sabia atirar, vivia, pois meu caro, a irreverência do acaso! Óh, Otávio, acho que era assim que o chamavam.
Já faz tempo desde daquela que o vira passar por entre as portas da velha padaria do Seu Tonho, e, malandro como sempre, este Otávio de outrora pedia os seus 4 cacetinhos para ter de levar algo a família. Morava ele e a mãe, faz tempos que não a vejo, suponho que tenhas falecido em todo esse tempo que já passou, se não me engano o pai fora fazer a guerra ao Regime do A.I.5, ou será que fora Vargas? Não me lembro mais, não me lembro mais... esses de hoje já me são tão parecidos! Mas não devo divagar! Não, não, continuemos a história. Certa feita a situação complicara para Otávio, sim, sim, ele crescera! O mundo mostrou-lhe a verdadeira face ao atingir-lhe, aos seus 16 anos, quando a mãe confessou que já não havia mais como continuar a trabalhar, a catarata devastou o que outrora foram lindos olhos verdes, agora tomados por um carregado triste cinza-azulado. Com o risco de faltar comida em casa, ah! O jovem Otávio largara a escola municipal, que já me disseram haver uma tal de diretora doida, Beatriz Estrange... algo assim, e adivinha só! Extraviava por debaixo das mangas o capital que supostamente deveria servir para reformar a biblioteca! Oras cá pra nós dois, sejamos sinceros, não se ensinam gatos a latir! Que moleque iria se enfiar naquele furdunço, se não para dar um tapa? Deixa disso companheiro!
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Crônicas
sexta-feira, 24 de agosto de 2012
Dadá
Violetas são vermelhas
E as rosas são vermelhas
O jardineiro é assassino.
"Dada não significa nada: Sabe-se pelos jornais que os negros Krou denominam a cauda da vaca santa: Dada. O cubo é a mãe em certa região da Itália: Dada. Um cavalo de madeira, a ama-de-leite, dupla afirmação em russo e em romeno: Dada. Sábios jornalistas viram nela uma arte para os bebês, outros jesus chamando criancinhas do dia, o retorno a primitivismo seco e barulhento, barulhento e monótono. Não se constrói a sensibilidade sobre uma palavra; toda a construção converge para a perfeição que aborrece, a ideia estagnante de um pântano dourado, relativo ao produto humano."
E as rosas são vermelhas
O jardineiro é assassino.
"Dada não significa nada: Sabe-se pelos jornais que os negros Krou denominam a cauda da vaca santa: Dada. O cubo é a mãe em certa região da Itália: Dada. Um cavalo de madeira, a ama-de-leite, dupla afirmação em russo e em romeno: Dada. Sábios jornalistas viram nela uma arte para os bebês, outros jesus chamando criancinhas do dia, o retorno a primitivismo seco e barulhento, barulhento e monótono. Não se constrói a sensibilidade sobre uma palavra; toda a construção converge para a perfeição que aborrece, a ideia estagnante de um pântano dourado, relativo ao produto humano."
quinta-feira, 23 de agosto de 2012
Mas eis que chega a roda-viva
"a gente estancou de repente
ou foi o mundo então que cresceu"
QUANDO DEIXARÃO DE ACREDITAR QUE NÃO HÁ MAIS NADA A LUTAR?
O ABSURDO É INACEITÁVEL
SE ASSUJEITAR É IMPOSSÍVEL!
OS TEMPOS NÃO MUDARAM PORQUE PARAMOS DE NOS IMPORTAR
NÓS NOS MATAMOS COM A FARSA
QUE TODOS OS DIAS INTERPRETAMOS
PARA NOS ACOMODAR NESSA BABAQUICE
E ESSA INTENSA PAIXÃO QUE NOS MOVE
NUNCA NOS DEIXARÁ NOS ADAPTARMOS
E TORNARMOS MAIS UM
AS MENTIRAS NOS GOVERNAM
AS MUITAS QUE NOS SÃO CONTADAS POR NÓS MESMOS
TENTANDO EM VÃO NOS CONVENCER QUE ESTÁ TUDO BEM
ENQUANTO O QUE NÓS VEMOS É O PRÓPRIO INACEITÁVEL
QUE MORRA A ESTÉTICA
O PADRÃO E O ETERNO!
OS NOSSOS MARIÍS MORRERAM
PARA O TEMPO NUNCA PARAR!
EU NÃO NEGAREI O QUE SOU!
A REALIDADE É INADAPTÁVEL
POR ISSO ANTES AGONIANTE DO QUE MAIS UM
A REVOLUÇÃO NÃO IRÁ PARAR!
inocente, utópico, fantasioso, seja o diabos que for, o absurdo é real e aceitado! Que seja um imaturo então, deixo esse espaço para minha criança interina falar o que os adultos já se acostumaram a não ver.
O condicionamento, duplipensamento, o benepensante tornaram-se reais no mundo, mas o questionamento, a nossa natureza, é o que tornou-se mal visto e rejeitado. Não são poucos que percebem o não coeso e incoerente mundo dos assujeitados, mas quem ousará falar?
somos tantos, mas estamos tão sós em nossa displicência que nos tornamos nada. Incoerente ou não, ainda assim estamos aqui, fingindo, mentindo, enlouquecendo, para aceitar tudo o que é imposto.
O tempo não pode parar
pois
O tempo não para.
um desabafo não move o mundo
não faz nada
um desabafo é um desabafo
assim como um boa tarde dito
mas nunca falado
ou foi o mundo então que cresceu"
QUANDO DEIXARÃO DE ACREDITAR QUE NÃO HÁ MAIS NADA A LUTAR?
O ABSURDO É INACEITÁVEL
SE ASSUJEITAR É IMPOSSÍVEL!
OS TEMPOS NÃO MUDARAM PORQUE PARAMOS DE NOS IMPORTAR
NÓS NOS MATAMOS COM A FARSA
QUE TODOS OS DIAS INTERPRETAMOS
PARA NOS ACOMODAR NESSA BABAQUICE
E ESSA INTENSA PAIXÃO QUE NOS MOVE
NUNCA NOS DEIXARÁ NOS ADAPTARMOS
E TORNARMOS MAIS UM
AS MENTIRAS NOS GOVERNAM
AS MUITAS QUE NOS SÃO CONTADAS POR NÓS MESMOS
TENTANDO EM VÃO NOS CONVENCER QUE ESTÁ TUDO BEM
ENQUANTO O QUE NÓS VEMOS É O PRÓPRIO INACEITÁVEL
QUE MORRA A ESTÉTICA
O PADRÃO E O ETERNO!
OS NOSSOS MARIÍS MORRERAM
PARA O TEMPO NUNCA PARAR!
EU NÃO NEGAREI O QUE SOU!
A REALIDADE É INADAPTÁVEL
POR ISSO ANTES AGONIANTE DO QUE MAIS UM
A REVOLUÇÃO NÃO IRÁ PARAR!
inocente, utópico, fantasioso, seja o diabos que for, o absurdo é real e aceitado! Que seja um imaturo então, deixo esse espaço para minha criança interina falar o que os adultos já se acostumaram a não ver.
O condicionamento, duplipensamento, o benepensante tornaram-se reais no mundo, mas o questionamento, a nossa natureza, é o que tornou-se mal visto e rejeitado. Não são poucos que percebem o não coeso e incoerente mundo dos assujeitados, mas quem ousará falar?
somos tantos, mas estamos tão sós em nossa displicência que nos tornamos nada. Incoerente ou não, ainda assim estamos aqui, fingindo, mentindo, enlouquecendo, para aceitar tudo o que é imposto.
O tempo não pode parar
pois
O tempo não para.
um desabafo não move o mundo
não faz nada
um desabafo é um desabafo
assim como um boa tarde dito
mas nunca falado
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Reflexões
domingo, 19 de agosto de 2012
Pois o nosso samba agora virou bolero, capoeira....
Choro de saudades pelos velhos amigos
que desde antes de conhecer já eram velhos
Choro, choro sim
com forte saudade daqueles tempos
[mesmo
não tão antigos,
mas que já não os são mais
Ah companheiro, eu choro
por já nem mais falar sobre isso
e estar rendido nesses tempos
Por minhas lágrimas estarem secas
pela aspereza deste pragmatismo
eu choro com essa preguiça alienante que me sufoca.
Já não sou mais o mesmo,
vocês que me viram,
Mas sempre quando olho para trás
choro escarrando esse pó
Que nos faz de mero
e ordinário barro.
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