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terça-feira, 24 de dezembro de 2019

As vezes parece já terem existidos tantos versões minhas. Hoje mesmo me lembrava de quando era o que ouvia l'impératrice em algum vagão de trem explorando a solidão européia. Essa persona agora me parece tão distante quanto outra vida, outra pessoa.

Mas seria possível sentir saudade de si mesmo? Não é como se quisesse voltar a ser o que era, de forma alguma, não depois de tanta luta para me tornar quem sou hoje. Mas essas versões prévias e irresolutas eram o que eu era, e por bastante tempo minhas únicas companhias. Sinto falta delas como sentiria de um amigo, bastava-me um fone de ouvido e estava pronto a explorar a imensidão da solidão humana.

segunda-feira, 12 de agosto de 2019

Retratos felizes
de Rosas pintadas

vejo-te respirar

mesmo que com contra tempo
não deixemos de amar

Mas se acaso pintadas são as rosas
Tal falcatro pigmento

Nem se deixe a enganar

Não há paz que não se lute
Enquanto o dia não raiar


I'm alive
am I dead?

terça-feira, 13 de novembro de 2018

Distancio-me ao entardecer
Jamais irei retornar

Pois não há só terra em que pise
Que não logo comece a afundar

Aos outros, não há espaços.
Já possuo minha solidão

Essa minha derradeira companheira
Que findará comigo nessa prisão

Os outros...
Que esqueçam

Verão-me como sépia,
um daguerréotipo perdido

e de fato, vivo
 desse passado esquecido

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Silencio-me ao entardecer,
já não se ouve o vento a sussurar

os pássaros da alvorada
já não os escuto cantar

por trás dos meus dedos
me deito

quando de meus lábios já não posso respirar

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Não vi você chegar
Com seu jeito meio bobo
Aquele seu velho jeito de falar
Das paixões de um coração novo

São distantes as recordações
Que lhe alcançam minhas palavras
E por sina eu mereço
A dor que me aperta o peito

Obrigado, adeus
um olá, até mais
parabéns meu amigo
que um dia possa me perdoar
quando eu voltar
espero rever
os sonhos que começara a ter
e as flores que abandonei a crescer

e se quando eu voltar
e minha casa me esperar
quando pela porta entrar
talvez não me esqueças

mas embora
a saudade aperte
sonhos idealizados
desejo primeiramente
em algum momento ter mudado

volto para casa
bato em sua porta
retomo o meu lugar
ja não basta esperar

eu quero mudar